Tratamento do TDAH


Tratamentos para o TDAH: Conhecer para mudar o cérebro e os comportamentos

Até algum tempo atrás, acreditava-se que o único tratamento disponível para TDAH era o uso de medicação psiquiátrica, o que sempre gerou muita resistência – especialmente por serem drogas com potencial de abuso e dependência, o que é veiculado até mesmo em seus rótulos.

Conforme o conhecimento sobre o TDAH foi aumentando – com maior quantidade de estudos e pesquisas, avanço de novas tecnologias bem como posicionamentos mais consistentes por parte dos profissionais de saúde e dos próprios pacientes, uma ampla gama de opções de tratamento ganham cada vez mais espaço.

Quando se pensa em tratar TDAH, é obrigatório ter em mente que se está lidando com um fenômeno multi-dimensional, um transtorno neuro-comportamental. O TDAH tem componentes neurobiológicos e também comportamentais, emocionais e de aprendizagem. Somente um tratamento que contemple de forma integral trará os resultados desejados, no curto, médio e longo prazo.

Plano de tratamento multi-dimensional

O tratamento para TDAH, hiperatividade ou qualquer outro problema deve ser baseado em uma análise extensa das causas – um excelente Diagnóstico Diferencial. Devem incluir também um plano de ação, com prioridades e objetivos de curto e longo prazo. No caso do TDAH e comorbidades, é necessário um propor um tratamento integrado e multi-dimensional, dirigido tanto aos déficits de base orgânica quanto aos comportamentais, emocionais e de aprendizagem. O quanto se investirá em cada área, por quanto tempo e com qual prioridade varia de acordo com o caso.

A ocorrência do TDAH e a intensidade dos sintomas depende de uma interação complexa de fatores de risco genéticos com as condições ambientais e circunstanciais – o contexto de vida, a organização familiar, o tipo de escola, o ambiente de trabalho, etc. – e também da história pessoal de cada um – potencial cognitivo, quais habilidades comportamentais, quais facilidades e dificuldades, entre outras. Há algumas condições ambientais que favorecem a manifestação das formas mais graves do transtorno; outras funcionam como fatores de proteção, que podem minimizar ou reduzir a gravidade dos sintomas. Tudo isto deve ser levado em conta ao propor o tratamento.

Em um exemplo, muitas crianças e jovens com TDAH que procuram tratamento por dificuldades escolares apresentam déficits comportamentais intensos na área de habilidades de estudo. Mesmo que as dificuldades orgânicas fossem sanadas, ainda assim estas crianças e jovens necessitam de um tratamento comportamental-psicopedagógico para aprenderem melhores estratégias e bons hábitos de estudo.

O tratamento do TDAH deve necessariamente levar em conta necessidades relacionadas ao substrato orgânico (com treinamentos cognitivos, na linha de ginástica cerebral – Brain Fitness, estimulação cerebral – Brain Entrainment ou com medicação), bem como terapias direcionadas ao funcionamento comportamental (com Terapia Comportamental-Cognitiva ou treinamentos comportamentais, Coaching Comportamental e/ou atividades psicopedagógicas relacionadas ao desempenho escolar, a depender do caso) e contexto ambiental (como orientação para pais ou para os conjuges).

Psico-educação – Conhecer para conquistar

Saber mais sobre o TDAH é essencial. Se você apenas suspeita ter TDAH, se já teve um diagnóstico e está em tratamento, se é pai / mãe ou professor de uma criança ou jovem com Déficit de Atenção, hiperatividade ou outros problemas associados, o primeiro passo é buscar conhecimento. Isto se chama Psico-Educação. Envolve conseguir informações substanciadas sobre o problema em questão e seu gerenciamento, fortalecendo a pessoa para o enfrentamento, mudanças e ajustes necessários.

A Psico-educação se inicia às vezes até mesmo antes de um diagnóstico formal, prosseguindo ao longos dos tratamentos, quaisquer sejam. Ocorre de forma individual – quando a pessoa faz, por conta própria, pesquisas em sites ou busca leituras especializadas. Também, quando durante tratamentos específicos, por exemplo, com medicação ou terapias, os profissionais seguem orientando seus pacientes.

Entender o que acontece permite, em primeiro lugar, vencer idéias errôneas e preconceitos; melhorar a autoestima e se posicionar melhor diante das pessoas e das circunstâncias. Também permite passar para uma etapa essencial à superação das dificuldades – chamar para si o direito e a responsabilidade pela mudança, quer pela escolha de tratamentos, quer por novos hábitos e estilo de vida.

Melhorando o cérebro e a cognição

A base orgânica do TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção, Hiperatividade / Impulsividade – está relacionada a anomalias no funcionamento de diversas áreas cerebrais, em especial as áreas corticais pré-frontais, que trazem prejuízos ãs funções executivas do cérebro. Por vários anos, defendeu-se a idéia que a primeira linha de tratamento o TDAH era uso de medicamentos, inclusive por médicos conhecidos da área.

Atualmente, diante de um maior conhecimento do transtorno e dos desenvolvimentos tecnológicos, diversas alternativas passaram compor o leque de opções de tratamento para melhorar o funcionamento do cérebro. As mais promissoras são o Brain Fitness – Ginástica Cerebral e o Brain Entrainment – Estimulação Cerebral. O Biofeedback e Neurofeedback são também opções bem interessantes, com potencial para melhorar o foco, a concentração e o equilíbrio emocional, de maneira totalmente natural e não-invasiva.

Novos hábitos e comportamentos

Superar os déficits do TDAH demanda encarar o dia-a-dia de um jeito diferente. Faz parte essencial do manejo dos sintomas criar estratégias de enfrentamento – novas maneiras de fazer as coisas, de modo a tornar mais fácil o que hoje parece impossível. Claro que é simples de dizer e bem complicado em realizar. Afinal, quem sofre com TDAH sabe quantas vezes já prometeu mudar, apenas para fracassar em seguida.

Neste ponto, a psicoterapia pode fazer toda a diferença. Dentre os traços mais marcantes do TDAH estão a tendência ao adiamento crônico (aquela desculpa “depois eu faço”) e a esquiva para iniciar as atividades – a sensação de “não quer, não aguento”. Especialmento em adultos, chega a ser tão arraigada que pode impedir o avanço dos tratamentos se não forem bem cuidadas.

As melhores abordagens psicológicas são as terapias comportamentais-cognitivas, que enfrentam tanto os maus hábitos (ou mesmo a simples ausência de hábitos) e também as distorções de pensamento – como a idéia fixa que “vai dar tempo”, quando a própria pessoa já sabe que não vai dar mesmo. Com a terapia e as experiências cumulativas de sucesso, a autoestima vai fortalecendo, ao mesmo tempo em que se assume responsabilidades e compromissos sem tanta relutância ou conflito.

Para aqueles que já superaram estas primeiras etapas de adiamento crônico, baixa estima e esquiva de responsabilidades, o Coaching Comportamental se apresenta como uma excelente opção, especialmente para adultos. O Coaching é baseado num tipo de treinamento conhecido por Abordagem Colaborativa de Resolução de Problemas, no qual se trabalha em conjunto para identificar, aplicar e aprimorar estratégias necessárias para se alcançar os objetivos. Por estas características, é ideal para adultos com foco em estudos ou vida profissional.